sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Chique que é Barato

     Ele quer crescer 20% e abrir trezentas loja por ano, tornando-se assim a maior rede que vende sua própria marca do planeta, até 2020. Trata-se do empresário japonês do da UNIQLO (pronuncia-se UNÍCULO). Pretende mergulhar em cidades como Milão, um dos centros mundiais de moda, mas a expansão se dará apenas até a Europa.

                               

     O conceito da marca é simples, o verdadeiro pulo do gato dos dias atuais, que parece querer permanecer para sempre em nossa realidade: o pobre quer parecer rico. E para isso, o empresário oferece até vinte cores ou padronagens diferentes para cada modelo de roupa oferecido na loja, o que não "tagueia" a pessoa que a usa como compradora de uma marca popular. O comprador consegue passar como um cara descolado e bem de vida, essencial nos dias de hoje. Não é preciso dizer que as lojas vivem lotadas. Uma camisa de inverno, que aparenta ser um cashmere bem fino em sua espessura, tem filtro solar de fator 40, pode ser comprada na UNIQLO por R$ 22,00.

        Além disto, a rede faz parcerias com pessoas famosas por tempo limitado, o que agrega valor e varia ainda mais o guarda roupa de seus fiéis compradores. Alguns bons exemplos disso são o MoMA, Museu de Arte Moderna de Nova York, Beatles (sim, eles têm uma marca própria chamada The Lords of Liverpool), o cineasta David Linch, e até com a Undercover, marca que veste toda a família e atende aos consumidores mais modernos.
 
         


     O Japão, como se sabe é um país muito caro. Portanto a Uniqlo é um verdadeiro oásis para consumidores tão vorazes como os japoneses. No lançamento, promoções impensáveis e sucesso absoluto.

     Mas como nem tudo que reluz é ouro, como esta visão empresarial quer mostrar, o dono da rede é acusado de só conseguir preços tão atraentes porque nada que vende é fabricado no Japão e sim em outros países  asiáticos, onde a mão de obra é barata devido a exploração dos funcionários e até mencionam alguma ligação com mão de obra escrava. O grupo, defende-se pelo porta voz italiano Aldo Liguori, que explica que os preços baixos devem-se ao fato da marca trabalhar com um grupo de parceiros espalhados pela Ásia que são capazes de produzir uma grande quantidade de roupas por um preço bom e ainda garantir sua qualidade. "Isso garante a vantagem competitiva", completa o italiano. Pelo sim, pelo não, revista e livro que fizeram a acusação já estão devidamente processados.


     Isso tudo porque estamos vivendo num mundo, onde a boa aparência para conseguir coisas banais ou básicas como um emprego, já ultrapassou todos os limites do bom senso. O que se vê abertamente aconselhado em todo tipo de programa, matéria em revista, TV, Internet, enfim, em volta. O que mais assusta é que o assunto é tratado com uma normalidade absurda e diz claramente: se não for belo, o indivíduo não é aceito em lugar nenhum, para nada. O que é isto? No que estamos nos transformando? O razoável foi embora, dando lugar à uma fúria avassaladora de estar bem, principalmente parecer bem. Não se

   

 fala mais em felicidade, mas em parecer feliz. O tempo em que as pessoas se cuidavam para envelhecer bem, saudáveis, mantendo uma rotina física que até podia ser pesada, acabou. As plásticas, que deixavam o envelhecimento mais belo ou mais tardio, foi derrubada pelos rápidos milagres de consultórios onde homens e mulheres entram carregando um caminhão de dinheiro e saem assustadoramente transformados, parecendo uma caricatura de si mesmo. Muitas vezes, a caricatura pode ser mais generosa...





Está em cartaz em São Paulo uma exposição da artista plástica Patrícia Kaufmann, que estuda a boneca Barbie desde 2004. O escopo do trabalho é mostrar como as mulheres caíram na ditadura daquele ideal de beleza a todo custo. O nome da exposição é Sombra  Negra, uma vez que a boneca é sempre fotografada sob muita sombra em poses ousadas e muito sensuais. Um visitante ficou tão empolgado que quis comprar um dos trabalhos de Patrícia; pensou tratar-se de uma mulher de verdade...

                                                                               
http://gnt.globo.com/saiajusta/videos/_2089239.shtml

      Antes desta exposição, Patrícia já realizou outros trabalhos questionando este assunto e este ideal de Barbie, com pinturas e instalações. O tema é inesgotável. O problema é até onde isso vai. Família, meios de comunicação, indústria da beleza e grandes laboratórios. Eles é que vão determinar; estão com a faca e o queijo na mão.

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